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Piolhos (Pediculose)

Os piolhos não são de hoje; têm já muitos anos de vida. Impotentes perante o minúsculo e repugnante parasita, os séculos XVII e XVIII inventaram aquelas vistosas cabeleiras que definem o Marquês de Pombal ou Luís XIV. Raspava-se a cabeça, lavava-se de vez em quando e lá se iam os piolhos, enquanto se ostentava grandeza e majestade com uma farta e falsa cabeleira carregada de impressionantes caracóis.

 

Mas, afinal, o que são esses parasitas?

 

Os piolhos são pequenos insetos parasitários estranhamente adaptados a viver nos cabelos da cabeça e do pescoço dos seus hospedeiros humanos. As suas seis patas evoluíram elegantemente para se agarrar aos cabelos e constitui um fascinante exemplo de especialização biológica. É um velho companheiro do homem, tão antigo que muitos exemplares foram encontrados nas cabeças de múmias pré-históricas. São bem democráticos e de maneira alguma respeitam a distinção de classes socioeconômicas.

 

A presença de piolhos não implica, na maior parte dos casos, falta de higiene ou de cuidados sanitários. A sua propagação faz-se pelo contato entre cabeças e, ocasionalmente, pela partilha de pentes, chapéus e outros acessórios diretamente ligados ao cabelo. Podem também permanecer, embora por um período curto, nas camas e na mobília.

As crianças europeias e norte-americanas são mais frequentemente infestadas do que os adultos e os caucasianos mais habitualmente do que outros grupos étnicos.

Alimentação e reprodução

 

Os piolhos alimentam-se, uma ou mais vezes por dia, de sangue humano e sobrevivem pouco mais de um dia à temperatura ambiente se não se alimentarem. Uma ninfa sai do ovo após oito dias de desenvolvimento, começa imediatamente a alimentar-se e atinge a idade adulta entre nove a 12 dias depois.

 

Uma fêmea pode depositar mais de 100 ovos, à média de seis por dia. De uma maneira geral, uma pessoa infestada alberga mais de uma dúzia de fêmeas ativas. O tratamento deve ser feito apenas quando se observam fêmeas ativas ou ovos viáveis.

Coceira na cabeça ou a sensação de que algo está se movendo entre os cabelos não exige imediato tratamento, que só deverá ser feito quando a cabeça é observada com uma lente e se constata a presença real do parasita. O tratamento, por intermédio de produtos químicos, pode ser dirigido contra os parasitas adultos ou as suas ninfas ou diretamente contra os ovos - as lêndeas -, impedindo o inseto de se desenvolver.

 

Os piolhos raramente causam problemas diretos e não há relatos de que tenham transmitido agentes infecciosos de pessoa a pessoa, pelo que não devem ser considerados um problema de saúde pública. No entanto, a sua presença pode provocar coceira e problemas de sono. A sua saliva e fezes levam as pessoas a coçar-se, provocando irritações na pele e provocando uma infecção secundária da pele.

 

Existem no mercado xampus especialmente destinados a combater os piolhos. Devem ser usados cuidadosamente e só após uma atenta leitura dos rótulos. Como estes produtos possuem uma eficácia limitada na destruição dos ovos, é conveniente uma segunda aplicação dez dias mais tarde.

 

Usar um pente fino e especializado e escovar o cabelo frequentemente pode ser um método eficiente para eliminar os piolhos, além de ser uma excelente forma de conseguir benefícios fisiológicos e comportamentais.

É, no entanto, um processo longo que exige intensas escovadas diárias durante cerca de duas semanas.

Remédios orais também podem ser usados

Piolhos no corpo...

 

Os piolhos corporais são mais raros. Alimentam-se no corpo dos humanos e raras vezes são encontrados na cabeça ou na barba. Mantém-se geralmente nas roupas perto da pele e põem os ovos nos vincos dos tecidos. Contrai-se principalmente pelo contato direto com pessoas infectadas, pelo seu vestuário ou roupa da cama. Aparecem com maior frequência em pessoas que não mudam de roupa com a frequência devida. Mudar para roupas lavadas e a lavagem e passagem a ferro bem quente das zonas infestadas dos tecidos é quase sempre o suficiente para eliminar estes incômodos parasitas.

Ao contrário dos piolhos da cabeça e dos da zona púbica, os piolhos corporais servem de vetor a certas doenças humanas. Epidemias como o tifo exantemático ou a febre das trincheiras têm dizimado milhares de pessoas, especialmente em períodos de guerra ou durante grandes fomes.

... e ainda mais a baixo

 

Os piolhos púbicos assemelham-se a minúsculos caranguejos e distinguem-se facilmente dos "parentes" do corpo ou da cabeça. Surgem na maioria dos casos apenas na região púbica, mas podem aparecer em qualquer outro ponto do corpo, incluindo a barba e as sobrancelhas. A remoção mecânica destes insetos e dos seus ovos é o método preferível de tratamento.

 

Já que são contraídos principalmente por meio de contatos sexuais, a sua presença pode ser associada a algumas doenças sexualmente transmitidas. Podem, no entanto, ser contraídos por formas mais inocentes, como a partilha do leito com uma pessoa infestada.

 

Todos estes tipos de parasitas evoluíram com o homem ao longo dos tempos. Também os nossos parentes primatas apresentam as suas espécies próprias de piolho. No entanto, os piolhos humanos, por exemplo, não se alimentam em outros animais, e os piolhos de outros animais raramente se alimentam nas pessoas. Consequentemente, em caso de infestação, cães, gatos e outros animais domésticos não necessitam de ser tratados.

 

Em caso de infestação, devem ser lavadas e passadas a ferro as almofadas, lençóis, roupas íntimas e noturnas, de forma a eliminar os insetos que podem reinfestar a casa. Também os pentes, escovas, chapéus e outros acessórios ligados à cabeça usados por uma pessoa infestada devem ser diariamente lavados com água bem quente.

Tratamentos com inseticidas na casa ou na escola, nos veículos, nos carpetes ou na mobília são desnecessários, ineficientes e podem mesmo ser perigosos.