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Exageros na restrição
alimentar dos nosso filhos

Pensando a alimentação dos filhos e suas consequências

 

Psicóloga Carmen Alcântara

                                      

Vivemos em uma era caracterizada pela informação, esta é divulgada em abundância principalmente através da internet e das redes sociais, onde pessoas formam grupos para troca de informações e apoio mútuo. Desta forma, não podia ser diferente com os pais de crianças de todas as idades, em busca das melhores informações para criar e educar bem seus filhos, em tempos de constantes mudanças e inovações.

Contudo, o aumento do acesso a muitas informações, algumas vezes até contraditórias, leva também a um aumento das angústias dos pais e como resultado defensivo, do ponto de vista psicológico, para diminuir ou zerar a angústia do “não saber,” alguns pais acabam por adotar certos direcionamentos rígidos, formando em alguns campos verdadeiras “seitas”.

É o que vemos por exemplo no campo da alimentação com os alertas mundiais sobre a obesidade infantil e de produtos tóxicos nos alimentos industrializados e “in natura”.

 

Acompanhamos a cada ano, um aumento do número de pais, principalmente mães, que se preocupam com a alimentação de seus filhos seja pela saúde ou por um estilo de vida, dito ‘saudável’ que se torna em alguns casos restritivo demais,

no qual certos alimentos milenares da civilização ocidental como trigo, açúcar e certas gorduras, são absolutamente proibidas.

Concordamos que os malefícios da alimentação atual são reais, precisamos mesmo instalar bons hábitos para uma vida saudável pois é desde muito pequena que a criança aprende a comer de forma saudável, sendo os pais seus principais modelos a serem seguidos. Desta forma se os filhos aprendem dentro de casa a se alimentarem bem, irão seguir esses hábitos por toda vida.

 

O que estamos questionando aqui, é um exagero nestas preocupações e um estilo de impor aos filhos uma “alimentação saudável” através de um autoritarismo, que é por demasia restritivo e impeditivo até das crianças conviverem com seus pares em festinhas e visitas.

 

 

Ao analisar alguns artigos científicos sobre o tema, (Viana et als; 2009 – Comportamento alimentar e controle parental; Rochinha et al, 2012- Os estilos e práticas parentais na alimentação e estado ponderal de seus filhos; Valdanha ED, 2013 - Influência familiar na anorexia nervosa), além de nossa prática clínica durante muitos anos atendendo pais e seus filhos, observamos que quanto mais autoritário e restritivo é o estilo de impor uma alimentação saudável para os filhos, maiores as chances das crianças perderem a auto regulação para a ingestão alimentar, maior o risco de crianças” fissuradas” por doces e guloseimas, e portanto mais suscetíveis a transtornos alimentares e aumento de peso.

Para citar alguns exemplos, já atendemos crianças entre 3 e 4 anos que haviam perdido completamente a auto regulação para ingestão alimentar e apresentavam quadro compatível com Transtorno Compulsivo Alimentar. Em todos os casos, as mães eram extremamente autoritárias e restritivas na questão alimentar dessas crianças por apresentarem elas mesmas problemática psicológica com relação a comida. Em um dos casos, a mãe relatou que na casa dela nunca havia mesa posta, não havia horário para as refeições familiares. Comportavam-se como se a alimentação fosse um assunto tabu, e a criança de três anos reagia a isso “querendo comer o pé da mesa”.

Em outro caso, a mãe transtornada com o fato da criança ter comido 5 bananas no lanche escolar, gritou ao filho de 4 anos que “aquele comportamento era horrível e que gente gorda não tinha chance nenhuma na vida...se ele queria ser gordo??

 

Desta forma fica claro que o equilíbrio é o caminho mais assertivo e saudável, não privando, e sim permitindo que os filhos comam o que gostam, porém controlando a quantidade, os horários e as situações envolvidas.

 

Não esquecer que muitas de nossas melhores memórias da vida são as da nossa infância, quando amor, afeto, brincadeira, brigadeiro, sorvete e o cheiro e o sabor do bolo de aniversário se misturavam. Estas lembranças jamais são esquecidas e nos fazem lembrar que fomos amados com vários contornos, aquecidos e alimentados literal e simbolicamente.

 

 

Referências:

 

Rochinha J, Sousa B, in Revista SPCNA vol 18 no 1, 2012

Valdanha ED, in Jornal Brasileiro de Psiquiatria, vol 62 no 3 Rio de Janeiro, 2013

Viana. Candeias e Rego, in Alimentação Humana, vol 15, 2009